11 fevereiro 2018

Resumo dos últimos dias

A Nadja Michael não foi uma grande Elekra. Mas continua com bom ar e isso, parecendo que não, é que interessa.

O Gary Oldman é muito pior Churchill em "A hora mais negra" que John Lithgow em "The Crown"

Se eu fosse o dono dos pastéis de Belém ganhava uma fortuna com duas ou três modificações no processo.

A exposição do Leonardo da Vinci na Cordoaria Nacional não vale os onze euros que custa o bilhete. No máximo, vale quatro euros.

Tenho sempre pena das raparigas dos desfiles de carnaval. Meses e meses a treinar e três em cada quatro anos cancelam a coisa porque se dá o caso de chover em Fevereiro.

Mimam-me demasiado, as pessoas.

08 fevereiro 2018

Ainda? Sim, ainda.

Sinto-me Sísifo de cada vez que volto a pegar em Ulysses.

07 fevereiro 2018

Madame Pereira

Há ocasiões em que Madame Pereira conclui que escolheu o Senhor Pereira para causa daquela sua maneira simples de fazer as contas às coisas da vida, um Mercedes com quinze anos de importação, é sempre melhor que um Fiat novo, férias em Isla Canela são sempre melhores que férias na Fonte da Telha, uma camisa de seda preta é sempre melhor que uma camisa de algodão branca, um scotch é sempre melhor que aguardente. Foram estas pequenas certezas que deram a certeza a Madame Pereira que ali havia homem capaz de subir na vida e, isso sabia Madame Pereira, os homens que sobem na vida à conta de certezas simples são os homens que interessam.

(a ver se a Mãe Preocupada se toca...)

06 fevereiro 2018

Grid Girls

Lá por eu andar atarefado com situações de valor, não podeis inferir que as problemáticas do mundo me passam ao lado, jamais ouvirão dizer de mim "Ah, ao Pipoco as problemáticas do mundo passam-lhe ao lado", é por isso que esta situação das raparigas da fórmula um, essas jovens desempoeiradas que têm a nobre função de andar por ali por entre os bólides, segurando guarda-sóis que protegem a rapaziada dos carros dos malefícios do buraco do ozono, serpenteando por entre os que por ali têm coisas que fazer, perpetuando esse binómio mulheres bonitas - mecânicos de automóveis, uma coisa ancestral, então não é que os patrões lá daquilo as dispensaram, não mais as teremos ali para nos apaziguar dos nervos por o nosso piloto favorito não ter arriscado travar nos limites, jamais as teremos ali para nos dizer que não faz mal, que está tudo bem, que este ainda não é o ano da Ferrari, mas que elas, as miúdas das corridas estarão sempre ali para nos aconchegar, para tomar conta de nós, pode o mundo acabar que elas olharão sempre por nós, elas e os seus guarda-sóis, elas e os seus vestidos coleantes, elas e o os seus decotes avassaladores, vêm agora dizer-me que elas serão substituídas por rapazotes com acne, pretendentes a condutores de fórmula um, como se alguém na posse das suas faculdades mentais quisesse ser condutor de fórmula um sem ter lá as raparigas dos guarda-sóis, e ninguém faz nada, ninguém se insurge, não quem promova uma manifestação, ou mesmo duas, que reponha o bom velho mundo nos eixos, tudo eu, tudo eu?

Post em tempo real

Há dias em que a minha vida se parece com o concerto de Colónia do Keith Jarrett.

(gosto de pensar que as pessoas estão neste preciso momento a digitar " wikipedia keith jarrett concerto colonia" para comentar com propriedade...)

05 fevereiro 2018

Porque lês blogs, Pipoco?

Leio porque, em lendo, fico sabendo que mulheres quase velhinhas mandam recados por blogs, que há toda uma ciência para regular o admirável mundo das meias sem par, que Dona Aureliana tem sotaque do lado de lá do Equador, que a Grande Obra ainda é coisa para durar mais um trimestre ou dois, que as raparigas dos blogs com criancinhas se amofinam com programas de televisão com criancinhas, que já não há Senhor Pereira, que é da natureza das raparigas dos blogues fazerem maldades umas às outras.

04 fevereiro 2018

01 fevereiro 2018

Os problemas das mulheres

Desconhecerem que as melhores vitórias são aqueles em que não foi preciso lutar.

Os problemas das mulheres

Apostarem as fichas todas no nove preto sem cuidar que a bola se pode aninhar no catorze encarnado.

29 janeiro 2018

Agora a sério

Quantos de vós já compraram o que vos tentaram vender nos blogs?

(Começo eu: eu instalei a aplicação da EMEL depois de ler um post da Pipoca Mais Doce. E ainda não estou arrependido...)

28 janeiro 2018

O problema, Ruben Patrick...

... não é ser-se influenciador social, afinal que todos nós o somos, não há quem não aprecie trazer cá para o nosso lado aqueles que, por terem menos sabedoria, pensam diferente de nós, é por isso que nos manifestamos contra os eucaliptos e contra a super nanny, é por isso que nos esforçamos para que aqueles a quem queremos bem preencham os papéis para sócios do Sporting e não comam pipocas no cinema, é por sermos influenciadores sociais que tentamos os nossos amigos a acompanhar-nos a Chamonix em Fevereiro vez de se perderem por Albufeira em Agosto.

O problema, Ruben Patrick, é quem acha boa ideia que lhe paguem para isso.

26 janeiro 2018

Tivesses estudado

De todas as coisas divertidas que se cruzaram com a minha vida nos últimos dias, e foram algumas, a mais divertida de todas foi a daquela miúda, vivaça, dessa estirpe de miúdas que sabem viver a vida sem grande esforço, afinal é uma influenciadora social, uma coisa em bom, nem é preciso grandes esforço, é prantar um retratos de comida nisso das redes e a coisa dá-se, a jogada da miúda era sacar umas noites à borla em Dublin, e logo cinco noites, senhores, em troca de dizer que ali estava um bom hotel, recomendava-se, fossem as noites boas ou más, estivessem ou não os bacon and eggs no ponto certo, cheirasse ou não a alfazema o sabonete, a tal da influenciadora social havia de dizer que tudo tinha sido muito aprazível, isto porque, lá está, em sendo à borla as coisas até parece que têm mais valor.

O problema, nestas situações há quase sempre um problema, além da rapaziada que já esteve nos hotéis, pagando, serem uns inconvenientes e dizerem que a experiência não tinha sido assim tão superlativa, o problema, dizia eu, é o que o dono do tal hotel perguntou, e bem, como é que, oferecendo noites à borla, conseguiria ele pagar as contas, ou seja, o tal dono, não sendo um influenciador social, faz parte dessa massa de gente que tem que pagar as contas, nem sequer lhe ocorre dizer ao tipo que lhe entrega os croissants que lá deixe uma carga de croissants por conta de uns retratos bem esgalhados na página do hotel a dizer que aquilo é que são uns croissants, já não se faz disto, a farinha moída por técnicas ancestrais, o trigo balançando ao vento, feliz, a manteiga proveniente de leite retirado de vacas que pastam livremente nos campos verdes.

Felizmente que nós cá no nosso cantinho não temos disso das influenciadoras sociais. Pois não?

20 janeiro 2018

Só há uma forma de respeitar os miúdos lá daquilo da nanny

Não ver aquilo. Não falar daquilo. Ler um livro ou ouvir Mozart à hora daquilo.

Vamos a isso.

15 janeiro 2018

Livros dos sítios

Um homem tem as suas manias, umas piores, outras mais aceitáveis, esta de ler livros que têm a ver com os sítios onde vou nem será das piores, mais vale isto que outra coisa pior, olhem se me desse para ler livros de elevar a auto-estima, desta vez levei "Perguntem a Sarah Gross", de João Pinto Coelho, claramente um seis e meio em dez, por um lado é uma boa escolha ter a história contada em duas dimensões, uma a decorrer no tempo em que Auschwitz era uma aldeia feliz, tão feliz que não se chamava Auschwitz, outra a acontecer nos anos sessenta, uma e outra história a fazerem sentido, a mostrarem que houve ali estudo sério, a bater certo com o que está escrito nos cartazes que estão no museu de Cracóvia, podia perfeitamente ter menos duzentas páginas e não ter aquela trapalhada final do bibliotecário, a Sarah Gross e a Kimberly Parker podiam ser um pedacinho diferentes uma da outra, mas sim, Cracóvia e "Perguntem a Sarah Gross" ligam muito bem, quase tão bem como Jo Nesbo e Oslo, Paris e Hemingway, Londres e Conan Doyle.

14 janeiro 2018

Nanny não sei quê

A Nanny não sei quê, com aquele cabelo apanhado, aqueles óculos de massa preta, aquela camisa decotada, aquela maneira de dar ordens, aquilo é coisa para entusiasmar uma pessoa...

(o Tio está ali meio incrédulo, copo de whiskey na mão, a dizer em voz baixinha "mas o que é esta bizarria, que é isto caramba?")

Que assim seja

Continuarei a segurar-lhes a porta e a não aceitar repartir a despesa do jantar, continuarei a subir e descer as escadas à frente delas, continuarei a dizer-lhes que estão muito bonitas - se estiverem -, continuarei a escolher o vinho e a esforçar-me por olhá-las nos olhos quando estiverem com decotes vertiginosos, continuarei a pegar nas malas mais pesadas e a não me importar de ser eu a conduzir o carro.

Sou um brutamontes, bem sei.

12 janeiro 2018

Cracóvia

Correr junto ao Vístula. Jantar no bairro judeu. Ir a um concerto de Chopin. Ir ao museu da cidade que fica na antiga fábrica do Oskar Schindler. Colocar um kipá e visitar a sinagoga velha. Beber cerveja numa esplanada com neve. Pensar que afinal talvez as bascas não sejam as mulheres mais bonitas do mundo. Andar pela cidade à noite. Ler. Ir à mina de sal, mas só se já não houver mais nada para fazer.

11 janeiro 2018

Post em tempo real

Acabo de sair de um concerto de Chopin.

Estive o tempo todo a pensar em Santana Lopes.

Ainda Auschwitz

Não se regressa igual depois de pisar Auschwitz. Mesmo que se vá preparado, que se tenham lido os livros e visto os documentários, sente-se o mal na sua plenitude, fechamos os olhos para melhor apreender tamanha maldade discricionária, há empatia incondicional pelos que aqui morreram.

(E percebemos, quase a desculpando, a cobardia dos que não viram, não sabiam. E é essa a pior parte)