24 julho 2017

Post que as pessoas vão gostar muito, muito. (e talvez venham pessoas dizer que também gostavam de Enid Blyton)


Se me apetecesse invocar as minhas memórias mais distantes, e dá-se o caso de apetecer, aparece-me Enid Blyton e as aventuras dos Famosos Cinco, do Clube dos Sete, do Mistério, essa colecção que tanto fez pela autoestima dos que tinha índices de massa corporal acima do aceitável. Enid Blyton veio antes de tudo, só depois fui apresentado à grande literatura mas já era tarde de mais para me afastar dos livros (foi por pouco, o meu tio Bentley de Vasconcellos ofertou-me Eça no dia em que a minha idade passou a ter dois dígitos).

Depois foi o tempo de me ser apresentado outro conceito estranho, o dos livros que chegam a nossa casa sem termos que fazer nada por isso e nem sequer era o nosso dia de aniversário nem o Natal. Eu, que sabia que para chegar aos livros tinha que procurar bem às terças e aos sábados de manhã na Feira da Ladra, que tinha que gerir a ansiedade até Junho, que era o tempo da Feira do Livro, ou tinha que juntar as economias e ir à Bertrand ou à Barata, tudo processos que implicavam que eu fosse ter com os livros, tomei conhecimento do facto do meu vizinho da rua de cima ter um processo diferente, os livros vinham ter com ele, o processo chamava-se Círculo de Leitores. Fascinei-me até ao dia em que percebi que os meus livros eram melhores que os dele, apesar de os meus não falarem tanto de ciências da mente nem terem tantas fotografias de maravilhas do mundo.

A seguir foi o tempo da promiscuidade, de não ter critérios de selecção definidos, de privilegiar a quantidade à qualidade. Não foi só com os livros e foi um tempo bom. Razoável, vá...

(continua mais tarde, entretanto mandaram-me desligar os equipamentos electrónicos)

Memorando para o tempo que falta até eu ter a idade para comprar um Porsche descapotável e, enfim usar uns Ray Ban Aviator

Usa o conjunto de palavras "o tipo é genial" com parcimónia e nunca antes de te munires de informação detalhada para as sustentares.

Só existe uma maneira de perderes volumetria no baixo abdómen e passa por te transformares numa pior pessoa.

O sentido de humor é um conceito de geometria variável, certifica-te que o usas com as pessoas certas no momento certo.

Não comentes quando a temática são os filhos. Ou a amamentação. Ou a vida pessoal. Ou a ideologia política. Ou a orientação religiosa. Ou livros ruins. Ou o que as pessoas vestem. 

Mima o teu pai e a tua mãe, ainda que eles contem aos teus amigos histórias da tua infância que tu preferirias que ficassem guardadas a sete chaves.

Revê aquele episódio do Black Mirror, o das avaliações das pessoas por aplicação de telemóvel.

Fala com pessoas, almoça com pessoas, convive com pessoas. Excepto nas tuas férias.

Sê mais tolerante com os menos rápidos de pensamento. E com os que gostam de gin com coisas a boiar.

Tem sempre um plano B preparado. E um plano C.

19 julho 2017

Faróis na nossa vida

Quando a situação me parece bizarra, desprovida de sentido, estatisticamente improvável, lembro-me que o Éder já uma vez marcou um golo num jogo da bola, que o Zeinal Bava já foi considerado um gestor que alto lá, que o Mickey Rourke já fez suspirar mulheres, que o Rodolfo Rodriguez já foi guarda-redes do Sporting.

18 julho 2017

Era uma vez dois posts

Um muito bom e o outro, enfim, nem por isso.

O post muito bom não merecerá grande atenção do respeitável público, o post fraquinho terá uma dinâmica de comentários que alto lá, mesmo atendendo a que estamos na segunda quinzena de Julho.

É já a seguir.

Sempre com a graça que me caracteriza, evidentemente

Muitos anos disto de circular com um flute de champagne na mão e ter a obrigação de dizer coisas de valor, noblesse oblige, ensinou-me que, mais tarde ou mais cedo, recorrei a Eça se o tema em discussão for o estado a que isto chegou, ao Principezinho se quiser mostrar que tenho sentimentos, a Jorge Jesus se quiser chalacear com categoria.

17 julho 2017

Sereis vós dignos de ler este blog?


Pergunta 1
a) Um almoço em condições deve iniciar-se com revueltos de trufas e faisão selvagem;
b) Um almoço em condições deve iniciar-se com pudim abade de priscos;


Pergunta 2
a) Nos blogues criamos amizades para a vida, tal é a sintonia que se gera entre quem escreve e quem lê, a expressão de emoções sem filtros cria ambiências tais que acabamos por empatizar e isso é uma coisa muito linda;
b) Os blogues são o que são, um sítio onde se escrevem coisas variadas;

Pergunta 3
a) Responder a comentários gera empatia e cria novas perspectivas, promovendo a sã discussão e a evolução de pensamento;
b) Responder a comentários serve, na grande maioria das vezes, para inventar um valente aborrecimento, sendo certo que a probabilidade aumenta exponencialmente se discordarmos do que a pessoa escreveu com tanto carinho;

Pergunta 4
a) Escrevemos só para nós, não nos importa o que pensa quem nos lê;
b) Escrevemos só para nós mas é o caralho.


Soluções: Se escolhesteis pelo menos uma vez a opção a), temos que falar...

É por isso que o mundo se não tomba, já dizia a minha avó

E lá estava a rapariga, muito efusiva, a falar das férias maravilhosas, um paraíso, uma semana inesquecível, destino tropical, as férias de uma vida, recomendando vivamente, que ninguém faleça sem por lá passar pelo menos uma vez, um sonho, que aquilo é que foram férias.

Demorei um minuto e meio a perceber que falava de ... Ibiza.

16 julho 2017

Isto dos blogues é coisa de inverno...

..., a lareira a crepitar, o vento a dobrar-me os pinheiros, eu a fartar-me do binómio livros de Hemingway-sessões contínuas de Black Mirror e a decidir-me por escrever um post, talvez dois, a coisa a sair-me bem e eu a produzir para conserva, ele há escritos que ficam bem em qualquer altura, no inverno há sempre quem leia, pessoas de bem enroscadas em mantas de lã, entediadas, deixa lá ver se o Pipoco tem um post novo, e tem, a pessoa a desentorpecer, a animar-se com o que lê, a desenroscar-se lentamente, o sangue a afluir-lhe ao cérebro, a pensar que podia ter sido ela a escrever aquilo, mas não foi, a ter vontade de comentar, ansiando uma resposta do autor.

(no verão as pessoas escolhem ir apanhar ar lá fora, beber cerveja fresca, abraçar os amigos, mergulhar em ondas daquelas enormes, ouvir músicas antigas em carros sem ar condicionado, enfim, as pessoas fazem muito bem em cá não estar)

15 julho 2017

A minha vida é muito melhor que a do boneco do blog (II)

Nikka from the barrel depois de queijo manchego e presunto pata negra. Nabokov. Jantar no restaurante bom de Serpa. Paixão segundo São Mateus muito alto no carro. Duas da madrugada e ainda faltam muitas horas para chegar a casa. Cohiba Lanceros enquanto afago o meu cão, aliás, a minha cadela. Eu, ainda agora.

14 julho 2017

A minha vida é muito melhor que a do boneco do blog

Cheguei ao Cafeína às onze da noite e serviram-me um bife à pimenta que me soube pela vida. Acompanhei com gin tónico.

Dormi seis horas. Seguidas.

Não consigo negar por muito mais tempo que já não consigo ler as letras muito pequeninas. Arial catorze são letras pequeninas.

Vou ter seis dias seguidos de jantares de aniversário de amigos meus. Seis.

Ao sétimo dia será o meu aniversário. Almoço, só por causa das coisas.

Já despachei os livros que comprei na Feira do Livro. A de há dois anos.

12 julho 2017

Uma coisa nova por dia

Porto tónico.

(não façam isso...)

10 julho 2017

Sonhei que estava num jantarinho de bloggers

E eu chegava e lá estava a Capitã Cuca, cimitarra na mão, disfarçada de coelho de Alice a dizer-me que eu estava atrasado, muito atrasado, quem havia de dizer, no blog parece tão cumpridor de horários e afinal..., inquirindo-me se eu sabia o que Borges pensa dos que chegam atrasados aos jantares, e lá estava a Pipoca Mais Doce a sorrir para mim, eu a pensar que era o meu dia de sorte, afinal era só um sorriso em parceria com, e lá estava a Palmier, eu a querer impressioná-la com as minhas opiniões sobre literatura russa, Madame Palmier a contar-me o pormenor dos veios do mármore do sétimo quarto de banho da Grande Obra, e lá estava Don Xilre encomendando cafés, mas tinham que ser dos que atravessaram o equador e servidos em chávena fria por J. Eustáquio de Andrada, e lá estava a Mãe Preocupada, acabadinha de arrumar o carro sem ter dado uma moeda ao arrumador, eu a querer cair nas boas graças da Mãe Preocupada e a dizer-lhe que gostava muito do trabalho dela, a Mãe Preocupada a ignorar-me e a ser toda atenções para o Senhor Pereira, a Susana Rodrigues, que tinha chegado de comboio, a dançar valsas e tangos por entre as mesas, e mais, muito mais, é perguntarem-se que bloggers lá estavam também que, em me apetecendo, logo contarei como foi que tudo se passou.

05 julho 2017

Focando-me

Se algum valor ainda tiverem as minhas recomendações, Ruben Patrick, eu sei que têm, era apenas um exercício de redução ao absurdo, evita as mulheres da tipologia "From Dusk Till Dawn", para ti é o "Aberto até de madrugada", a coisa começa de maneira favorável, há ali coerência e uma narrativa alinhada, um esboço de perfeição, o problema é que a partir de determinado momento crítico, sem que ninguém entenda exactamente porquê nem onde, a coisa perde o rumo, de um momento para o outro as mulheres semi-nuas e de generosas curvas lá do bar transformam-se em monstros desfigurados, bem sei que Tarantino aviou vinte shots de absinto e outros tantos de grappa e a seguir foi gravar a segunda metade da película, mas foca-se no essencial, e toda a gente sabe que o essencial é invisível aos nossos olhos, é Saint-Exupery quem o diz, não sou eu, para mim e para todos os homens de bem o essencial é precisamente o que está defronte dos nossos olhos, olhos que não vêem coração que não sente, lá diz o povo e o povo é sábio, as coisas são como são, podes não crer no que te digo, mas ainda agora estava a pensar nos cheiros da minha vida, nada dessas bizarrias de relva acabada de cortar ou da terra acabada de receber uma chuvada das antigas e afinal...

28 junho 2017

Salvador Sobral, chega-te aqui ao Tio Pipoco, que te quero dar uma palavra

Meu bom rapaz, a gratidão de vermos os países a anunciarem uns a seguir aos outros "Portugal twelve points", quando em tempos antigos "twelve points" era o que tínhamos quando todos os países já tinham votado, e isso era nos anos bons, a gratidão, dizia eu, é coisa com um curto prazo de validade, como tu, meu bom rapaz, depressa anteviste quando ganhaste lá o concurso. O deslumbramento é um pecado dos grandes, e nós, que não desgostamos do teu ar cuidadosamente descuidado, não apreciamos muito que aqueles de quem gostamos se comportem como rapazolas, nota bem, qualquer um de nós, menos tu, poderia notar que fizesses o que fizesses serias aplaudido, alguns de nós, os menos bafejados com esmerada educação, poderiam mesmo ser inconvenientes a ponto de sugerir que, se desses um peido serias, ainda assim, aplaudido. Agora tu, bem rapaz, em verdade te digo, que não tens ainda estrada para seres inconveniente, não tens ainda arcaboiço para dizeres coisas tontas e ninguém notar.

 Por isso, meu bom rapaz, não tenhas trejeitos parolos tão cedo, não menosprezes os que serão sempre o teu sustento, não aborreças as pessoas com saídas tontas.

E agora vai em paz e venha de lá esse jazz e essa maneira tua de estar em palco que tinhas antes de ontem.

(e quer-me parecer que deste um nó cego à produção e meteste ali a Joni Mitchell sem ninguém saber...)

Os problemas das mulheres

Quererem-nos tão perto que nos afastam.

A sul (IV)

O melhor destes dias de sul é a sequência de acontecimentos, abrir as portas da praia e ainda não são sete da manhã, correr na linha de água, comprar os jornais, intercalar as leituras dos livros que escolhi por companhia com mergulhos de mar, almoçar com amigos que chegam de outros suis e que regressam aos seus poisos no final do dia, jantar fora deste sul com amigos que não são os do almoço, parar no Guarita Terrace para um último gin tónico antes do regresso a casa e amanhã será igual.

Costumo fartar-me disto por volta do final do quarto dia.